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AMCHAM realiza Seminário Brasil 2018

 

Seminário reúne executivos e especialistas para analisar as perspectivas econômicas do país.
Evento conta com patrocínio da Dynamica Consultoria.

Fotos: Divulgação/AMCHAM-SP

Realização da AMCHAM, o Seminário Brasil 2018 (04.12) reuniu cerca de 300 participantes, promovendo discussão em torno das perspectivas para o crescimento econômico do país a partir do próximo ano. Entre os painelistas, renomados intelectuais, representantes de instituições empresariais e executivos dos setores público e privado. Novamente a série contou com o patrocínio Dynamica. Veja aqui a programação detalhada.

ilustramateriabrperspectivas2018Ilustração: adaptação da arte de divulgação/AMCHAM-SP

O quadro da infraestrutura
brperspectivas2018foto2Venilton Tadini, Presidente da ABDIB-Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base, abriu o seminário com palestra sobre a situação da infraestrutura brasileira. Apontou um quadro com perspectivas desfavoráveis.
Segundo Tadini, não é possível avançar na qualidade e produtividade de nossa infraestrutura sem investimento público. Tais investimentos vêm sofrendo queda desde os anos 70, com cerca de 5% do PIB e contando em 2017 com 1,5%. Há falta de planejamento de projetos estruturantes, o que impõe limites para a cooperação público-privado.
Para Venilton Tadini, o planejamento é ruim, há dificuldades com os padrões de execução orçamentária, o modelo de financiamento é inadequado e é insuficiente a atenção à gestão de riscos sociais e ambientais. Assim, a retomada do crescimento econômico estimada a partir de 2018 não terá um suporte mais significativo da área de infraestrutura.

Agenda política
Na sequência, o painel "O que esperar da agenda política brasileira para o próximo ano?" reuniu Fernando Gabeira, jornalista, Bolívar Lamounier, cientista político e Marcelo Issa, diretor executivo da consultoria Pulso Público. A moderação coube a Fernando Alves, sócio-presidente da PwC - Pricewaterhouse Coopers.
De acordo com Bolívar Lamounier o momento é de incertezas e não é possível fazer afirmações definitivas. Tendo em vista as eleições do próximo ano, as pesquisas destacam, de momento, a polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PSC). Segundo Lamounier são dois políticos com grande gana de poder, mas sem uma agenda nacional formulada. "Não há polarização de conteúdo", diz ele.

Bolívar Lamounier acredita que é preciso um novo nome, capaz de oferecer uma alternativa de aglutinação em torno de uma convergência de valores.
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Para Fernando Gabeira a política é hoje um dos principais obstáculos ao desenvolvimento econômico. Aquela polarização reflete 2 tendências nostálgicas: o PT, insistindo na busca do aumento do consumo como fator de desenvovimento econômico e a segunda, via Bolsonaro, representa a perspectiva de buscar um mundo mais seguro, tendo como referência o período militar da história recente do país. "São 2 nostalgias que dividem o imaginário popular", diz Gabeira. E não há uma posição alternativa, com visão de futuro e que apresente como enfrentar 2 grandes questões: o desenvolvimento econômico e o combate à corrupção. Fernando Gabeira destacou a necessidade de uma reforma do Estado, com soluções para as despesas públicas e as formas de ocupação política e técnica de cargos públicos. Existe espaço no Brasil, segundo ele, para uma posição que lide com tais fatores - ainda que no momento não se desenhe uma terceira força capaz de contrabalançar a polarização atual de opções eleitorais.

Marcelo Issa acredita na tendência do eleitorado afastar-se de Jair Bolsonaro em eventual 2º turno com sua participação, concordando com a possibilidade de uma 3ª força ocupar espaço com uma candidatura de caráter centrista. Talvez haja pouco tempo, de acordo com Issa, para o surgimento de um "outsider" (isto é, alguém "de fora" dos padrões de comportamento ou ideias no plano eleitoral). Mas acredita na tendência de cristalização de uma alternativa no estilo do liberalismo reformista. 

Palestras especiais
brperspectivas2018foto3Marcaram presença como palestrantes o senador Armando Monteiro (PTB-PE) e Paulo Rabello de Castro (foto), presidente do BNDES-Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.
Armando Monteiro abordou o tema "Produtividade e agenda legislativa". Integrante de comissão de assuntos econômicos do Senado, afirmou que são necessárias resoluções com maior alcance do que as reformas em andamento. Referindo-se aos debates daquela comissão, destacou a necessidade de dar-se maior importância ao que chamou de cenário microeconômico, preocupado em manter o foco em crescimento econômico sustentável., apontou que a crise atual também engloba uma relativa estagnação no ítem produtividade. Segundo Monteiro, são necessárias novas medidas legislativas, com um modelo de acompanhamento pelo Congresso de uma agenda para o ambiente microeconômico. Essa agenda de recuperação da atividade econômica depende dos seguintes fatores: reforma tributária, há longo tempo em discussão e que não se concretiza; busca de maior eficiência produtiva, mudanças no código tributário nacional e renovação das relações entre o fisco e os contribuintes. Para Armando Monteiro nosso padrão de cobrança de impostos é profundamente autoritário, inferiorizando o papel do contribuinte. Grandes reformas exigem capital político, dependemos de um novo arranjo político. E o cenário microeconômico permite trabalhar em mudanças no curto prazo.

Paulo Rabello de Castro (foto) trouxe indicadores da evolução do BNDES ao longo de seus 65 anos. Reafirmou os princípios da instituição e seu compromisso com a infraestrutura e a indústria nacionais. Destacou que é preciso incluir na pauta eleitoral de 2018 o estímulo às micros, pequenas e médias empresas - segundo ele, outra prioridade do BNDES.
Castro diz não estar preocupado com 2018, mas com os destinos do Brasil. Segundo êle, dados serão jogados em 2018 com resultados para o país em 2020. Afirma que, por enquanto, o setor financeiro não compareceu para o investimento em produção. "Temos uma dívida moral de arrumar este país para as próximas gerações", afirmou.

Tendências setoriais
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O 2º painel, "Retomada do crescimento: perspectivas setoriais", com a moderação de Luiz Pretti (presidente da Cargill), trouxe os executivos: Odair Renosto (presidente da Caterpillar), José Olympio Pereira (presidente do Credit Suisse), Flávio Cotini (presidente da Walmart Brasil) e Maurílio Biagi Filho (presidente do Grupo Maubisa).
José Olympio Pereira afirmou que vê-se pela primeira vez a queda nos juros e ligada à queda da inflação. Concentrado nas questões do mercado financeiro, apontou a propensão à busca de ativos alternativos e o desenvolvimento de um mercado de dívidas a longo prazo. Pereira acredita na oportunidade de criação de um mercado da dívida brasileira e de um processo de "desentermediação", a busca de crédito/financiamento direto pelas empresas junto ao mercado.
Flávio Cotini empenhou-se em afiançar a importância do varejo e sua contribuição em meio à crise e as possiblidades de crescimento. Para Cotini, é a primeira crise no Brasil em que o consumidor deixou de consumir antes de sentir a queda da renda. Segundo ele, "a crise trouxe um senso de urgência e a sociedade civil fortaleceu-se, organizou-se mais". Citou as referências para a atuação de sua empresa: investir em compliance, gente, talento, eficiência. Exemplificou como atuação do varejo em meio à crise, com a reinvenção dos modelos de de hiper e supermercados - para ele uma proposta de valor aos clientes.
Maurilio Biagi Filho ocupou-se de apresentar os resultados mais que positivos do setor de agronegócios em meio à crise e suas perspectivas a partir do próximo ano. De 10 produtos brasileiros exportados, segundo ele, 8 são do setor. Apesar de destacar que o valor dos comódites está 30% mais baixo do que em 2016.  Além dos exemplos de crescimento do agronegócio, destacou como relevante o papel da EMBRAPA - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária no desenvolvimento do setor. Também destacou o sistema de cooperativas como forte impulsionador.Odair Renosto exibiu um cenário de dificuldades para a indústria pesada, ainda que indicando certos sinais positivos, incluindo o plano internacional. Para ele há uma previsão de crescimento de 12% para o setor no ano de 2018, em que pese a queda em torno de 50% na venda de maquinário, comparando-se os dados de 2017 com 2013. Segundo Renostro, com 70% de ociosidade nas instalações no país, é preciso previsibilidade no cenário a longo prazo, regras claras no relacionamento entre governo e mercado e cumprimento à risca de cronograma nos processos de concessão e implementação de projetos.

Perspectivas brasileiras e o cenário internacional
brperspectivas2018foto4O encerramento do seminário coube ao economista e sociólogo Marcos Troyjo, Diretor do BRICLab da Columbia University (centro de estudos sobre o Brasil, Rússia, Índia e China). Segundo Troyo, uma nova janela de oportunidades se abre para o Brasil, tendo em vista o atual quadro internacional.
Segundo Troyjo o Brasil ainda precisa adaptar-se à globalização tal como, por exemplo, a Coréia do Sul. Elementos como simplificação fiscal e da burocracia podem contribuir para o país aproveitar referências positivas a partir do 1º semestre de 2018. A China continua sendo o 2º PIB maior do mundo e o sudeste asiático vive um crescimento econômico que pode chegar a cerca de 5% durante os próximos 15 anos - e com tendência a buscar comódites agrícolas e minerais. A vitória de Donald Trump nos EUA interfere nas relações internacionais de tal modo a prever-se a possibilidade do Brasil e Mercosul reorganizarem-se para negociações econômicas com os europeus.
Para Marcos Troyjo, internamente abriu-se no país a oportunidade para reformas significativas e sua adaptação e consolidação de posições em meio ao cenário global. Finalizou retomando o tema político, afirmando a necessidade de um novo perfil para enfrentar o embate eleitoral em 2018: "vamos precisar de um outsider", acredita. Um nome que se oponha a um "insider" - em sua definição, um populista, com ojeriza a reformas, sem visão macro e sem capacidade de planejamento estratégico. Caracterizando seu oposto, o outsider não é populista, é popular; acredita em responsabilidade fiscal, referência de juros flutuante, planejamento e em estrutura de capitalismo competitivo e não baseado em compadrios.

A Dynamica e as perspectivas 2018
selo10anos siteEm 2017 a Dynamica Consultoria participou de destacados eventos do mundo corporativo. Encontros, seminários e palestras abordando temas como liderança, avanços da tecnologia da informação, formação profissional, gestão de pessoas e gestão de mudanças organizacionais. Associada à AMCHAM-SP, também patrocinou suas principais reuniões de comitês temáticos e, encerrando o ano, patrocinou pela 3ª vez esta série de seminários (veja matérias sobre as edições de 2015 e 2016).

O Seminário Brasil 2018 trouxe contribuição importante, sintetizando algumas das expectativas do empresariado brasileiro, combinando à visão crítica de analistas e formadores de opinião. Naturalmente não trouxe todas as respostas para os caminhos de crescimento do Brasil a partir de 2018 - sobretudo no que diz respeito a seus reflexos no campo social. É preciso continuar as reflexões e exercitar a capacidade de estimular os agentes políticos a ouvir com mais atenção as aspirações e demandas dos diversos segmentos da população. O cenário político ainda está por se definir mais claramente e certamente a ação eleitoral cumprirá o papel de decidir quais patamares sustentarão o crescimento econômico a partir de 2019.

Em 2018 a Dynamica Consultoria, a despeito das dificuldades impostas nos últimos anos, continuará atenta às demandas do mercado e necessidades das organizações.

Para mais informações sobre a atuação da Dynamica Consultoria, escreva ou telefone:

dynamica@dynamicaconsultoria.com.br     (11) 2532-8889

Conheça outros eventos patrocinados pela Dynamica Consultoria.

Saiba mais sobre os 10 anos de atividades da Dynamica Consultoria.


Seminário Brasil 2018 - Perspectivas para o País
04 de dezembro de 2017 - 08h00 às 12h00
Local. Amcham Business Center - Rua da Paz,1431 - São Paulo - SP
Organização: AMCHAM-SP
Patrocínio: Dynamica Consultoria


 
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