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Brasil 2019: quais são nossas perspectivas?

 

Evento patrocinado pela Dynamica discute cenário político e econômico em 2019.
Fotos: Mario Miranda/AMCHAM

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Bolívar Lamounier, Deborah Vieitas e Zeina Latif

A Dynamica Consultoria patrocinou mais uma realização da AMCHAM-SP no dia 7 de fevereiro. Sob o título "Plano de voo - o destino do país em 2019" especialistas e representantes de diversos segmentos analisaram os cenários político e econômico, apontando as possibilidades de realizações do país. Cerca de 500 participantes acompanharam os palestrantes: Zeina Latif (economista-chefe da XP Investimentos), Bolívar Lamounier (diretor da Augurium Consultoria), Cláudio Lottenberg (presidente da United Health Group Brasil), Pedro Coutinho (diretor-executivo da GetNet), Luis Pasquotto (presidente da Cummins Brasil) e Dilson Verçosa Jr. (diretor da American Airlines Brasil). O evento foi encerrado com palestra de Mansueto Almeida (Secretário do Tesouro Nacional). Atuaram como moderadoras: Deborah Vieitas (Amcham-SP) e Juliana Rosa (editora de economia na Globonews). Veja o programa completo do evento.

Volatilidade no mercado e na política
O 1º painel contou com Zeina Latif e Bolívar Lamounier analisando as condições atuais do mercado e o quadro político.
zeinalatifPara Zeina Latif a agenda econômica precisa ser acelerada, retomando itens importantes e até mesmo iniciados no governo Temer. Frizou que a ideia de liberalismo na economia já está presente em políticas governamentais desde Fernando Henrique Cardoso e até mesmo a política econômica do governo Lula tinha inflexão liberal. Essa aceleração depende de reformas na previdência e nas áreas trabalhista e tributária. Para Latif, a situação da educação é um desafio: a qualidade da mão de obra é fraca, o padrão educacional é muito baixo. Se há vagas especializadas, certos setores não conseguem preenchê-las por não encontrar trabalhadores qualificados.
A redução das taxas de desemprego não será significativa durante o atual governo, os dados de investimento na indústria estão estagnados desde 2010. O setor do agronegócio é o que sofre menos com o "custo Brasil". Para ela o setor "sempre investiu em inovação e tecnologia, com aumento consistente da produtividade". As incertezas no setor são quanto ao comércio exterior, tendo em vista a posição brasileira em nossas relações internacionais. "Mas no final vai prevalecer a experiência e o pragmatismo tradicional do Itamaraty", acredita.
O Estado brasileiro é gigantesco e altamente centralizador, com muitas políticas públicas privilegiando determinados grupos sociais. É preciso reduzir a dívida pública e revisar benefícios fiscais. Trata-se de um desafio técnico - revisão de leis, reelaboração de diagnósticos etc. - mas há o desafio da política, envolvendo negociações e confrontos. Apesar de mudanças na área política, a "vontade política" não resolve tudo. Latif relembrou a frase do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso: "é preciso dialogar, dialogar, dialogar". E completa: "não sabemos qual é a capacidade política de Bolsonaro e o sucesso de um país não está só nas mãos dos políticos. Será preciso ousadia para confiar e investir no país."

bolivarlamounierDe acordo com Bolívar Lamounier, apesar da recessão, houve alguns avanços na política e no combate à corrupção durante o governo Temer. Segundo ele, o termo "liberal" deixou de ser "palavrão". Mas o governo mal consegue fechar o orçamento e, assim, como estruturar um Estado com diretrizes social-democratas? Há vários itens a serem trabalhados para a organização de um Estado voltado ao equilíbrio social.
Nas últimas eleições, para Lamounier, os debates tiveram mais o "vituperar" do que o "raciocinar". E faltou a discussão sobre temas essenciais que necessitam de solução não a longo, mas a médio prazo. Em sua avaliação, o cenário de fragmentação partidária dificulta o relacionamento entre executivo e judiciário. É preciso superar o loteamento de interesses, os partidos precisam deixar de ser anexos de interesses corporativistas. Ainda que identifique mudanças no Senado e Câmara, considera que o legislativo depende da agenda do executivo, não é pró-ativo. Lamounier pergunta: "quantos partidos se contrapõem ao corporativismo em termos de força? Nenhum."

Afirma que o tema da previdência é difícil em todos os parlamentos do mundo. No Brasil, a reforma previdenciária é crucial para a reorganização social - e lembra que a renda média no país é muito baixa. Lamounier acredita que há mudanças de mentalidade em curso. A questão ambiental, por exemplo, tomou outro perfil com o caso de Brumadinho. Lamounier espera que o presidente deixe de lado as questões culturais e de costumes - que a sociedade cuide disso. Questiona também a posição do governo quanto à mudança da embaixada do Brasil em Israel de Tel Aviv para Jerusalém: "a posição do Brasil foi açodada".
Em sua opinião, o projeto de Aldo Moro é bem articulado, mas, a curto prazo, não espera grandes resultados no combate à criminalidade. É preciso aguardar março [abertura dos trabalhos legislativos] para ver como ficam as agendas previdenciária, trabalhista e da segurança. A reforma trabalhista só será bem assimilada desde que haja retomada do crescimento - ou então continuará sendo vista como "retirada de direitos adquiridos".

Lamounier afirma que é "moderadamente otimista, mas o que me preocupa é a questão da educação. O ministro da educação é o que menos fala - o que é que tem saído de lá [referindo-se ao Ministério] ?" Ele completa: "é preciso uma revolução organizacional e pedagógica. Com medidas enérgicas e achar o caminho para requalificar a baixo custo todo o professorado público, do fundamental ao nível médio, reformar o sistema."

Bolívar Lamounier afirma que é difícil ser otimista quanto à capacidade do atual governo em realizar a reforma do Estado brasileiro, cuja modernização depende de privatizações e descentralização de poder, o que não vê senão a médio prazo. E compara o Estado a um camarão: "uma cabeça enorme mas com um corpo com pouco valor culinário".


artigos conhecimentoA Dynamica Consultoria publica constantemente artigos para a reflexão em torno da Gestão de Mudanças Organizacionais (GMO). Uma contribuição para estimular as organizações a incorporar a GMO como fator estratégico, o que, naturalmente, significa carrear mudanças para a sociedade: assimilar as transformações tecnológicas, modernizar a gestão de pessoas, abrir a cultura organizacional para a inovação. Nos links a seguir 2 artigos recentes:

Tecnologia a favor dos negócios e das pessoas - Lyrian Faria (2017)
Transformação digital e novas formas de produzir e pensar - Agostino Carletti (2018)

O portfólio de cursos Dynamica tem essa mesma perspectiva. A Certificação em GMO oferecida pela consultoria tem obtido bons resultados e já está programada a realização de sua 11ª edição em maio deste ano. No link a seguir o programa completo do curso e informações para inscrições

"Formação e Certificação de Gestores na Metodologia Dynamica"


O mercado e os ramos produtivos
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Dilson Verçosa Jr., Luis Pasquotto, Juliana Rosa, Pedro Coutinho e Cláudio Lottenberg

O 2º painel reuniu representantes de 4 diferentes ramos: saúde, tecnologia digital, indústria de bens de capital e transportes aéreos, discutindo o posicionamento de suas empresas.

cláudiolottenberg2Para Cláudio Lottenberg (United Health Group) estamos virando a página do debate político e passando para uma fase estruturante. Além da reforma da previdência, a reforma política e a fiscal também são essenciais. É preciso repensar os modelos de saúde, buscando o trabalho conjunto das áreas privada e pública. Com a retomada do crescimento econômico, as 2 áreas serão potencializadas: segundo ele, haverá, por exemplo, a necessidade de mais mão de obra e o incremento de arrecadação. A saúde é direito social, basta ver alguns exemplos da combinação público-privado em países europeus. A lição de casa é aumentar eficiência com recursos tecnológicos, mais atuação primária (fortalecendo o trabalho preventivo) e melhor gerenciamento de recursos. Quanto aos custos dos planos de saúde, acredita que o esforço remuneratório será evitar os gastos em redundâncias e o "consumerismo" o que significa também uma revisão ética dos padrões de atuação e cobrança do setor.

pedrocoutinho2Pedro Coutinho (GetNet) aposta na continuidade do crescimento no setor digital - que cresceu 15% no último ano. Segundo ele, o desenvolvimento tecnológico impõe uma nova perspectiva às organizações e governos - e exemplifica com a ampliação da substituição do dinheiro por cartões pré-pagos e a tendência cada vez maior de combinação de lojas físicas com o ecommerce. Se as empresas brasileiras não optarem por modernização tecnológica não irão crescer. A tecnologia tem potencial para ajudar o país a crescer e, afirma, "o uso da tecnologia vai contribuir com a criação de empregos, não o contrário". Coutinho identifica os 4 pilares que devem orientar as organizações: eficiência operacional; foco nas pessoas; experiência do cliente; multicanalidade.

 

luispasquotto2Luis Pasquotto (Cummins Brasil) destaca a retração dos investimentos em sua área. Exemplifica com a produção de veículos comerciais: a produção que era cerca de 270.000 caminhões entre 2011 e 2015, teve queda, em 2016, para 70.000. Segundo ele, sua matriz manteve injeção de caixa mas o setor como um todo apresenta casos de empresas descapitalizadas e mesmo em insolvência. Para Pasquotto é preciso refinanciar as dívidas das empresas pequenas do setor.
Afirma que "a lição de casa é uma estratégia com 3 pilares: recuperação da lucratividade; market share; reorganização da empresa." O investimento de sua empresa em tecnologia deve priorizar a conexão interna e a conexão com a clientela. Como o atual cenário ainda impõe dúvidas, Luis Pasquotto acredita em prudência, trabalhando sem aumentar de imediato o custo fixo.

dilsonverçosajr2Dilson Verçosa Jr. (American Airlines Brasil) destaca o interesse permanente da empresa em atuar no país, há 29 anos, consolidando posições e ampliando atividades. Afirmando que apesar da privatização já ter alcançado bons resultados na área, é preciso avançar mais e superar as dificuldades fiscais. E para conquistar investimentos externos, é necessário retomar o crescimento com mais rentabilidade. Para Verçosa a reforma da previdência vai estimular uma série de discussões que irão influenciar as expectativas do mercado.

 

 



Identificando as opiniões do público
amcham7Os organizadores aplicaram pesquisa em tempo real junto ao público. As questões desdobram e detalham os temas abordados: reformas previdenciária, política e fiscal; metas do atual governo e possibilidades de sucesso; metas das empresas em 2019; o cenário político.

68% apontam como ponto prioritário para o governo a área de comunicação - considerando falha a divulgação junto à sociedade das propostas em andamento. Sobre a reforma previdenciária, 63% não acreditam que irá abarcar todos os setores sociais, mas concordam que terá reflexos positivos nas contas do governo. Ainda quanto à previdência, 32% das respostas apontam que a aprovação dependerá do protagonismo do governo como fator decisivo.

As ações do governo na área econômica são vistas com maior confiança por 61% dos presentes, enquanto que 37% veem com menos confiança suas ações no campo cultural. 41% acreditam que infraestrutura e privatização são outras reformas com mais chance de aprovação. Ao mesmo tempo em que 37% não acreditam em mudanças significativas no sistema tributário, 48% das respostas indicam a simplificação e redução da carga tributária como prioridades para estimular a competitividade.

52% identificam-se com um otimismo pontual, uma espécie de voto de confiança. Mas 32% projetam um crescimento de suas empresas entre 5 e 10%. Como principal prioridade da empresa em 2019, 43% apontam o aumento de produtividade em processos e projetos. 38% acreditam que suas empresas dedicarão investimento em capacitação dos colaboradores, avaliando que não há foco do governo na área educacional. Para 42% a recuperação do crescimento e a contratação de mão de obra dependem da aprovação das reformas econômicas, estimulando a competitividade. Mas, se 36% respondem que suas empresas farão mais contratações via CLT em 2019, 37% indicam que suas organizações não pretendem abrir mais postos de trabalho. O incremento de tecnologia, segundo 43%, será direcionado para a gestão de processos visando maior eficiência.


Leia artigo completo sobre a pesquisa aqui


Alerta em números
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Mansueto Almeida apresentou os indicadores financeiros e econômicos que ajudam a compreender as dificuldades vividas no país. Segundo ele, com carga tributária elevada e regras regulatórias "complexas", são grandes as dificuldades para investir no Brasil - sejam empresários nacionais ou estrangeiros. A carga tributária varia, por exemplo, de uma região brasileira a outra para um mesmo ramo produtivo. Outro fator que afeta a decisão por investimentos é a constante mudança nas regras tributárias, de governo para governo, interferindo no planejamento do investimento pelas organizações. "Este é nosso 5º ano de déficit primário", afirma Mansueto. A dívida pública bruta é cerca de 80% do PIB, o que coloca o Brasil com um endividamento acima de qualquer um dos países emergentes. E a solução para o déficit previdenciário é peça essencial para a concretização de mudanças.

O Brasil precisa de uma linha de crescimento econômico contínuo e consistente e não depender de saltos de crescimento de acordo com as flutuações no cenário internacional.

Para Mansueto Almeida, apesar dos indicadores políticos anunciarem uma agenda liberal para a economia, as mudanças estão longe de estarem completas. o país precisa de outra visão de tributos, de fiscalização, de marcos regulatórios eficientes e regras mais claras que permitam aos investidores um planejamento a longo prazo.

Reformas e mudanças
Os palestrantes são unânimes em identificar como "agenda liberal" a base de orientação para a economia, concordando que as reformas política, fiscal, trabalhista e previdenciária são fundamentais para a reorganização econômica do país e a retomada de seu crescimento.

Ao longo de 2019 a Dynamica Consultoria estará atenta ao movimento de mudanças e seu alcance, procurando contribuir para a renovação da cultura organizacional. Agora a expectativa é que, de fato, as forças do mercado e os representantes dos 3 poderes constituídos, conduzam suas ações não apenas de modo pragmático - presos a interesses imediatos, meramente corporativos ou eleitorais - mas sensíveis aos reclamos e incertezas presentes no conjunto social.


Saiba mais sobre a presença da Dynamica nos eventos corporativos.


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dynamica@dynamicaconsultoria.com.br     (11) 2532-8889

PLANO DE VOO | O DESTINO DO PAÍS EM 2019
7 de fevereiro de 2019 - 08h00 às 13h00
Local: Amcham Business Center - Rua da Paz, 1431 - São Paulo - SP
Realização: AMCHAM-SP
Patrocínio: Dynamica Consultoria


(*) colaborou com a matéria Liliane Freire Magalhães (Dynamica Consultoria)


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