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Pesquisa:
perspectivas e análises para o Brasil em 2019(*)  Dynamica Consultoria - fevereiro - 2019

 

ilustra pesquisa plano de voo 2019
Ilustração: Sizenando

Entre executivos e CEOs de diversos ramos, 543 profissionais estiveram presentes no "Plano de voo - o destino do país em 2019", evento realizado pela AMCHAM-SP e com patrocínio da Dynamica Consultoria (07.02.2019). Leia cobertura do evento aqui.

Os organizadores aplicaram pesquisa em tempo real junto ao público em 2 fases. O 1º bloco de questões - 40 dias do governo Bolsonaro - foi apresentado na abertura, antecedendo o painel que reuniu Zeina Latif e Bolívar Lamounier. No 2º bloco, as questões trataram das perspectivas de negócios em 2019 - apresentadas antes do painel que reuniu representantes do setor produtivo e que abordaram como suas empresas têm lidado com a crise brasileira e como analisam suas atividades em 2019 (veja aqui todas as questões).

1º Bloco de questões: 40 dias do governo Bolsonaro
Em relação às medidas econômicas anunciadas pelo governo, 60% reagiram positivamente e 36% escolheram a neutralidade, acreditando que ainda não houve tempo para avaliar a gestão. Apenas 4% reagiram negativamente, sem acreditar no crescimento da economia. Vale lembrar que ainda aguardamos qual será exatamente a proposta do governo a ser oferecida na próxima semana ao Poder Legislativo sobre a reforma da previdência e considerada peça chave para o sucesso da reorganização econômica do país.


Os respondentes têm mais confiança nas ações do governo em relação à economia (61%) e são menos confiantes diante das áreas social e cultural (37%)


Na questão sobre qual área da ação governamental inspira mais confiança, 61% apontaram a área econômica e 31% escolheram o combate ao crime e à corrupção. Apenas 8% sentem mais confiança nas relações exteriores, visando a aproximação a parceiros econômicos, políticos e estratégicos. Em contrapartida, as opiniões se dividiram mais sobre que área em relação ao governo se sentiam menos confiantes. Pequenos grupos responderam: na área econômica (2%), no combate à corrupção (4%) e nas relações exteriores (10%). Os 3 grupos maiores de respondentes dividiram-se entre educação e saúde (23%), área ambiental (24%) e áreas social e cultural (37%). Aqueles 3 itens com menor votação tiveram grande destaque como motes da campanha eleitoral de Jair Bolsonaro. Entre os itens com maior votação dos respondentes, o da área ambiental, tem vivido as maiores polêmicas. Os outros 2 são os que atualmente recebem menor atenção do governo.

Poucos acreditam na reforma da previdência ainda na atual gestão (2%), alguns poucos responderam que haverá resistência para aprovação, mas que poderá ocorrer no fim do ano (16%). Apenas 20% assinalaram a aprovação de uma reforma ampla, abarcando toda a sociedade, até o final do ano. A maioria dos respondentes (63%) indicou a expectativa pela aprovação de projeto mais limitado, sem abarcar todos os setores sociais, mas com resultados positivos para as contas do governo. Resultados coerentes com um cenário, já mencionado, de incertezas e indefinições. Mas a reforma da previdência é para reorganizar a gestão de benefícios sociais ou para ajustar a vida financeira da administração pública? Seja qual for a proposta aprovada, ela terá implicações financeiras não só para a administração federal, mas também na administração de municípios e estados da federação.

Apenas 9% apontaram que o fator crucial para aprovar a reforma previdenciária seria a aprovação anterior de outras pautas [“outras pautas” não foram nominadas na pesquisa], clareando o quadro de alianças governamentais e número de votos a conquistar. Nessa linha, 29% destacaram ser essencial o governo envolver todas as lideranças partidárias e abandonando o discurso agressivo contra opositores. Em seguida temos 30% considerando crucial para essa aprovação o protagonismo do presidente na discussão – contudo, deixando de lado os “temas de grande popularidade”, isto é, os temas da campanha eleitoral ditos culturais, de comportamento ou religiosos. Posições intimamente ligadas à do maior grupo (32%) que apostaram na importância do governo defender sua proposta, mas assumindo a posição de pontos com menores concessões na reforma – casos dos militares e dos servidores públicos.


41% acreditam que, entre outras iniciativas até 2020, o governo terá mais chance de aprovar um programa de privatizações e de renovação da infraestrutura


Sobre quais outras reformas o governo Bolsonaro teria chances de aprovar, agora e em 2020, assim se dividiu o público: 41% escolheram programa de privatizações e de infraestrutura e 15% escolheram mudanças no sistema tributário. A liberação comercial (13%), reforma administrativa (13%), a redução de subsídios (9%) e a autonomia do Banco Central (9%). A divisão nas opções não esconde que é importante para os respondentes renovar as relações entre o Estado e a iniciativa privada, especialmente na área financeira. Apesar disso, a questão seguinte mostra insegurança dos respondentes quanto à relação entre o governo e o poder legislativo. Respondendo sobre quais reformas prometidas pelo governo têm menor chance de aprovação, 37% apontaram a reforma do sistema tributário. Grupos menores apontaram os temas: reforma administrativa (19%); redução de subsídios governamentais (17%); autonomia do Banco Central (15%); liberação comercial (8%) e privatização e infraestrutura (4%).

A última questão tratou de competitividade empresarial. Tendo como ponto de referência as posições do Ministro Paulo Guedes, os respondentes indicaram o seguinte como temas prioritários: redução da carga tributária (48%); atração de investimentos (20%); desburocratização (15%); ajuste fiscal (10%); combate à corrupção (6%).

2º Bloco de questões: Negócios em 2019
Sobre as expectativas quanto ao cenário econômico neste ano, 1% optaram por assinalar que o Produto Interno Bruto (PIB) não crescerá. Já 30% escolheram um crescimento acima de 2% e um bloco majoritário (69%) indicou crescimento menor que 2%. Quanto ao otimismo observável em alguns setores [tais setores não são nominados pela pesquisa], 3% optaram por não avaliar, “não sabem”. 45% indicaram que o otimismo é concreto e se manterá por conta das promessas do governo. Já 52% assinalaram que o otimismo é pontual, tal como um voto de confiança. Talvez sinalizando a diversidade de interesses dentro da variedade de ramos de atuação, os respondentes registraram a projeção de crescimento de suas empresas em 2019 desta forma: não haverá crescimento (10%), de 0 a 5% de crescimento (27%), crescimento acima de 10% (28%) e entre 5 e 10% de crescimento (34%).


43% escolheram a produtividade em processos como prioridade para os negócios em 2019 e apenas 7% optaram por treinamento e capacitação de equipes


Em termos de prioridades para os negócios em 2019, assim os respondentes escolheram: internacionalização do portfólio de produtos e serviços (5%), aquisição ou investimentos em novos negócios (7%) e ampliação geográfica de mercado (12%). Ao mesmo tempo em que 21% indicaram a inovação e digitalização do portfólio e 43% escolheram Produtividade em processos, produção e equipe, apenas 7% escolheram treinamento e capacitação de equipes. Todos os itens da questão se relacionam, em maior ou menor grau, com formação e educação constante dos colaboradores nas organizações. Por outro lado, na questão seguinte, assim se posicionaram quanto a identificar uma área sem atenção governamental e que merece o investimento redobrado de suas empresas: educação, capacitação e treinamento de colaboradores (38%), inovação em ciência e tecnologia (33%), sustentabilidade (18%) e diversidade (12%). Esta e a questão anterior trazem temas caros às organizações, umas com mais destaque do que outras, mas todas exigindo revisão, atualização e abertura da cultura organizacional e inovação na gestão de pessoas. Elementos que não dependem exclusivamente de oscilações ou volatilidade no mercado, mas de mudanças no ambiente sociocultural.


Enquanto 36% pretendem fazer contratações em 2019 via CLT,
37% não pretendem criar novas vagas


Assim os participantes responderam sobre contratações em 2019, seja para ampliação de equipes ou criar novas posições: 12% não têm posição definida ainda, 15% deverão contratar através de novas maneiras, com mais terceirizados e 36% contratarão através da CLT. 37% não contratarão ou ampliarão equipes atuais. O quadro se completa com a questão sobre qual é o principal fator para a recuperação do crescimento econômico e da contratação de mão de obra: 3% indicaram que é o aumento de exportações, tendo em vista a fixação de taxa de câmbio competitiva para a indústria. 22% apontaram a necessidade de aumentar investimentos em infraestrutura, com mecanismos oferecidos pelo governo de modo a diminuir riscos em contratos. 33% acreditam que é o aumento de consumo, com estímulos ao crédito e 42% apontaram que é o aumento da competitividade, mas com firme condução pelo governo de reformas estruturais.

Finalmente, foram indicadas as áreas de gestão com prioridade para aplicação de novas tecnologias em 2019: automação industrial (3%),  sistemas integrados de engenharia (3%), produtos e novos modelos de negócios (17%), melhoria na experiência do cliente (34%) e processos, com foco principal em eficiência e produtividade (43%). Todos os itens envolvem inovação de recursos e mudanças em procedimentos, tanto internos quanto externos. E exigindo readequação da gestão de pessoas, abrindo espaço para postos de trabalho com novos perfis, funções, tarefas, padrões de gerenciamento. O que remete a diagnósticos substanciais sobre modelos educacionais no país e formulação de planos de educação e treinamento corporativos.

Breve avaliação
Quanto o público já estava posicionado frente às questões da pesquisa? Quanto as análises da economista e do cientista político influenciaram as respostas registradas no 2º bloco? Os temas abordados - liberalismo, agenda econômica liberal, volatilidade do mercado, renovação política, altas cargas tributárias etc. - vem sendo discutidos pela imprensa, sites e redes sociais há longa data. Pode-se observar, diante dos resultados da pesquisa, que o público se encontra com certo otimismo, diante do atual governo e do quadro geral do país, com ressalvas críticas em pontos muito específicos. Fizeram falta nas discussões, não só sobre a previdência, mas tendo em vista todos os temas tratados, o setor bancário e algumas áreas da industria - apesar da presença do setor de bens de produção (representado por Luis Pasquotto) e em que pese Zeina Latif ter ponderado em sua palestra sobre a estagnação dos investimentos industriais desde 2010 e seus impactos no tecido social. Bolívar Lamounier destacou a falta de pró-atividade dos partidos e sua pulverização como representação política, mas faltou destacar que não houve, de fato, discussão prévia e aprofundada pela sociedade sobre a previdência social e outros temas dentro do conjunto de reformas em proposição. A propalada renovação da esfera legislativa não será necessariamente representativa das expectativas da sociedade brasileira como um todo. Basta lembrar os episódios recentes para a escolha da presidência do Senado e Câmara Federal.


prancheta3apesquisaA Dynamica Consultoria lida com inovação e mudança como conceitos que devem ser tratados como elementos estratégicos pelas organizações. A Gestão de Mudanças Organizacionais (GMO) sistematiza padrões e etapas de mudanças de modo integrado, tanto internamente como na relação da organização com o mercado.
A consultoria acompanha a posição das empresas no país, os padrões de cultura organizacional e visão de como encaminhar mudanças, desde 2012, quando lançou a "PNM-GMO Pesquisa Nacional Sobre a Maturidade da Gestão de Mudanças Organizacionais nas Empresas". Os resultados da Pesquisa mostram um progressivo/lento reposicionamento das empresas na compreensão e incorporação dos valores da GMO - relativos ao papel das lideranças, da gestão de pessoas, do planejamento e acompanhamento das etapas das mudanças. Vale a pena conhecer os dados levantados nas 3 edições da PNM-GMO, realizadas em 2012, 2013 e 2015 e refletir sobre os resultados alcançados pela pesquisa aplicada durante este evento da Amcham. Para conhecer, e solicitar a Pesquisa da Dynamica Consultoria, acesse este link.


Desafios para a gestão de mudanças
Dos presentes ao evento, 17% não são associados à Amcham. O público refletiu variedade de posições profissionais, de estagiários a presidentes de empresas, passando por analistas, assistentes, coordenadores, gerentes etc. Nos maiores grupos, coordenadores e supervisores tiveram destaque, compondo 27%. Seguem-se diretores (26%) e 24% compostos por presidentes, CEOs, VPs, sócios, executivos e conselheiros. Quanto aos ramos de negócios, a área de serviços contou com 25,05%, superando a área industrial (17,80%). Em faixa próxima de participação, aparecem finanças (10,99%), consultorias (10,11%) e tecnologia (9,67%). Nos grupos menores, com variações entre 1% e 7%, estão: telecomunicações (1,76%), setor automotivo (1,98%), comércio exterior (2,20%), commodities (2,20%), recursos humanos (4,40%), advocacia (6,81%) e saúde (7,03%).

As soluções para nosso déficit em formação de mão de obra mais especializada não pode depender exclusivamente de ações governamentais. As organizações que buscam um mercado mais aberto, mais livre de amarras tributárias ou fiscais, também precisam investir numa nova mentalidade a nortear o planejamento da formação educacional e capacitação profissional. É cabível a cautela em relação aos próximos passos do governo, mas cabe arriscar mais em benefício da sociedade.

Estamos lidando com a necessidade de mudanças a curto, médio e longo prazos. Se existe clareza quanto à necessidade de buscar inovação, precisamos de uma reforma previdenciária que não tenha de ser refeita daqui a 4 anos, de políticas econômicas que sejam abertas o suficiente para não mudarmos de tempos em tempos a legislação e a postura do Estado.


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(*) A pesquisa foi realzada pela AMCHAM e aplicada durante o evento Plano de voo - o destino do país em 2019, realizado em 7 de fevereiro de 2019, no Amcham Business Center, em São Paulo (SP). 543 pessoas marcaram presença no evento, não temos o número exato de respondentes da pesquisa. O evento contou com o patrocínio da Dynamica Consultoria.
Entre em contato com a Dynamica Consultoria para comentar o artigo. Escreva para: dynamica@dynamicaconsultoria.com.br

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